:: 10/set/2026 . 9:45
Política: Vorcaro cita ACM Neto e Rueda em proposta de delação e afirma que políticos teriam direito a R$ 200 milhões
O banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, em uma proposta de delação premiada, que ACM Neto (União Brasil), candidato ao governo da Bahia, e Antônio Rueda, presidente do União Brasil, teriam recebido ou deveriam receber 10% dos valores investidos no Banco Master por institutos de previdência.
Segundo o relato, a atuação dos dois teria contribuído para que o banco captasse recursos de fundos de previdência do Rio de Janeiro, Amapá e Amazonas, além da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae). As informações foram divulgadas pelo colunista Cézar Feitoza, do Uol.

ACM Neto e Antônio Rueda
O que Vorcaro relatou
Na terceira proposta de delação apresentada por Vorcaro, o banqueiro afirmou que ACM Neto e Rueda teriam ajudado a aproximar o Banco Master dos institutos de previdência do Rio de Janeiro, Amapá e Amazonas, além da Cedae.
De acordo com a versão apresentada, essa movimentação teria permitido ao Master captar cerca de R$ 2 bilhões.
Vorcaro afirmou que uma comissão de 10% sobre esses valores teria gerado uma obrigação de aproximadamente R$ 200 milhões com os dois políticos. O documento, entretanto, não informa quanto desse montante teria sido efetivamente pago.
Ainda segundo o banqueiro, para cada grupo político responsável por captar investimentos para o banco, seriam destinados 10% do valor aplicado ou 1% ao ano durante o período em que os recursos permanecessem investidos no Banco Master.
O relato afirma que os pagamentos teriam sido recorrentes a ponto de o Banco Master manter uma espécie de conta corrente gerencial relacionada a ACM Neto e Rueda.
Vorcaro também declarou que os dois teriam intermediado negócios envolvendo o banco, incluindo a captação de investidores institucionais e a aproximação com o Banco de Brasília (BRB), mediante o pagamento de vantagens indevidas.
Como os pagamentos teriam ocorrido
No caso de ACM Neto, Vorcaro descreveu quatro formas de repasse.
A primeira envolveria pagamentos em espécie utilizando recursos de empresas e pessoas ligadas a Augusto Lima e Antônio Freixo. A segunda seria por meio de contratos fictícios de consultoria entre a A&M Consultoria LTDA e o Banco Master.
A terceira forma citada seriam contratos fictícios entre a A&M Consultoria LTDA e a Reag. A quarta envolveria contratos firmados com a B6 Capital, gestora ligada a ACM Neto.
Já em relação a Rueda, o banqueiro afirmou que os pagamentos teriam ocorrido em espécie, por meio de empresas e pessoas ligadas a Augusto Lima e Antônio Freixo, além de contratos firmados entre empresas do conglomerado Master e o escritório Rueda & Rueda Advogados.
Segundo Vorcaro, esses contratos previam, somados, cerca de R$ 3 milhões por mês.
O banqueiro também apresentou mensagens trocadas com funcionários do Master e contratos relacionados à A&M Consultoria e ao escritório de advocacia de Rueda.
Reunião envolvendo o BRB
A proposta de delação também relata uma reunião realizada em junho de 2024, na casa de Rueda, em Brasília, com a participação de Vorcaro, Rueda e Paulo Henrique Costa, que na época presidia o BRB.
Segundo o relato, Rueda e Costa teriam solicitado que Vorcaro conseguisse, em dois ou três dias, aproximadamente R$ 1 bilhão para cobrir um aumento de capital do BRB que não havia conseguido adesão do mercado.
Vorcaro afirmou ainda que Costa teria se comprometido a fazer com que o BRB comprasse ativos do Banco Master por um valor de até dez vezes o montante investido e capitaneado pelo banqueiro.
O que ainda não foi esclarecido
A proposta de delação não informa quanto teria sido efetivamente repassado a ACM Neto e Rueda. Das seis formas de pagamento mencionadas por Vorcaro, apenas uma apresenta um valor específico: os contratos firmados com o escritório Rueda & Rueda Advogados, que somariam cerca de R$ 3 milhões mensais.
O documento também não detalha quanto cada fundo de previdência teria aplicado no Banco Master nem apresenta um ato específico de ACM Neto ou Rueda junto às instituições. O texto afirma apenas que os dois teriam “intermediado” os investimentos.
Dados obtidos por meio de quebra de sigilo bancário e fiscal do Master, além de relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) entregues à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, apontam que Vorcaro teria repassado R$ 6,4 milhões para escritórios ligados a Rueda entre 2022 e 2025.
O valor é inferior ao montante mencionado pelo banqueiro na proposta de delação.
A empresa de consultoria de ACM Neto também aparece nas planilhas, com R$ 5,4 milhões recebidos entre 2023 e 2025.
Investigações
A proposta de delação afirma que a relação entre os fundos de previdência mencionados e integrantes do União Brasil já vinha sendo investigada pela Polícia Federal (PF).
O ex-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, foi preso pela PF em fevereiro deste ano. Segundo a investigação, Antunes teria sido indicado para o cargo por Rueda, em uma articulação com o governador Cláudio Castro (PL).
No Amapá, um aporte de R$ 400 milhões no Banco Master foi aprovado por um comitê presidido por Jocildo Silva Lemos, ex-tesoureiro de campanha de Davi Alcolumbre (União Brasil), que teria indicado Lemos ao cargo.
No Amazonas, a autorização para um aporte de R$ 50 milhões foi assinada por um presidente que havia tomado posse 28 dias antes e que anteriormente havia atuado como contador da campanha de reeleição do governador Wilson Lima (União Brasil).
As propostas de delação apresentadas por Vorcaro foram rejeitadas pela PF e pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Segundo as instituições, faltariam informações inéditas e garantias para a devolução de valores relacionados às fraudes.
O banqueiro tenta agora reabrir as negociações para uma colaboração premiada.
- 1









