Vendedor de livros, pastor e ‘quase candidato’: o passado do homem que esfaqueou Bolsonaro

Adélio Bispo de Oliveira, o homem que esfaqueou Jair Bolsonaro (PSL) na última quinta-feira (6) e disse que agiu “a mando de Deus”, apegou-se com fervor à fé evangélica no fim dos anos 1990, quando se mudou para Uberaba, região do Triângulo Mineiro.
Tinha pouco mais de 20 anos e sobrevivia vendendo livros. Como o dinheiro era escasso, decidiu buscar ajuda na Igreja da Fé e foi recebido pelo então líder da instituição, o pastor Romildo Cândido. Foi sob a tutela dele que o jovem iniciou a vida religiosa.
Em entrevista ao UOL, Romildo contou que Adélio já demonstrava à época obsessão pela política e que aparentava ser um rapaz “idealista”, porém “confuso” e “revoltado”. Hoje à frente da Igreja Voz dos Mártires, com sede em Uberaba, o líder evangélico disse ter ficado surpreso com a notícia do ataque.

“Ele sempre foi zeloso pela Bíblia e pelas coisas de Deus. E falar que foi Deus que mandou [cometer o crime]? Eu até comentei com a minha esposa: a cabeça dele não estava boa mesmo. Acho que ele não está bem.”
Dedicado, Adélio tornou-se obreiro (uma espécie de auxiliar do pastor) nos primeiros meses de 1998 e, um ano depois, viajou a São Paulo junto a Romildo para se consagrar evangelista (pessoa designada a disseminar o evangelho e fazer pregações no templo e em espaços públicos).
Nos anos seguintes, relatou o ex-líder da Igreja da Fé, Adélio viajou à sua cidade natal, Montes Claros (MG), onde teria sido consagrado pastor em uma igreja missionária. A reportagem não localizou a instituição.
Segundo Romildo, ao longo dos anos, Adélio passou por vários municípios e não se fixou em uma denominação evangélica. “Ele sumia. Uma hora ele estava em Santa Catarina, outra hora em Uberaba e, depois, voltava a Montes Claros”, disse.
A versão bate com os relatos dos familiares do agressor de Bolsonaro. À “Folha de S.Paulo”, um dia após o ataque ao candidato a presidente, parentes mais próximos contaram que ele virou um andarilho aos 17 anos, quando deixou a casa da família em Montes Claros e foi a São Paulo buscar emprego. Além de cidades em Minas, também passou por Florianópolis e Balneário Camboriú (SC).
Entre idas e vindas a Uberaba, Adélio chegou a morar na casa de Romildo por “sete ou oito meses”, entre 2006 e 2007. “Desde que o conheci, em 98, sempre tivemos um vínculo como amigos. Teve uma época que ele não tinha onde morar e ficou na minha casa. Eu o ajudei muito, ele era um cara idealista e que tinha uma visão política como poucos brasileiros. Só que era de esquerda”, declarou o pastor.
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