:: ‘CEPLAC’
ILHÉUS: Ceplac é esvaziada e corre risco de extinção

POR: A REGIÃO
Por falta de pessoal qualificado para operar a extensão rural e os testes científicos das pesquisas realizadas pelo Cepec. Há mais de 32 anos não é feito concurso público para suprir a necessidade de pessoal da Ceplac, que chegou a ter 4.500 funcionários e hoje está com cerca de 1.100.
Antes um órgão independente, a Ceplac foi transformada em departamento do Ministério da Agricultura no governo de Dilma Rousseff e neste mês foi transferido do MAPA para o Ministério da Tecnologia, dentro do projeto de focar os esforços na pesquisa.
Nesta semana, a Secretaria de Inovação e Tecnologia aumentou o já grave problema de pessoal da Ceplac ao determinar que todos os seus auditores e técnicos agropecuários sejam transferidos para a Secretaria de Defesa Agropecuária, que ainda está na estrutura do Ministério da Agricultura.
Repercussão ruim
A ordem foi mal recebida no sul da Bahia, porque os técnicos são essenciais para a Ceplac. Sem eles, acaba a extensão rural e, sem a extensão, não é possível fazer testes de campo nem levar para o produtor as tecnologias desenvolvidas no Cepec.
Outro problema é que os técnicos e auditores, ao migrar para a Defesa Agropecuária, podem ser transferidos para outras cidades e estados. O Superintendente para a Bahia e Espírito Santo, Roberto Melo, em conversa com o jornal A Região, considera que “é um jogo de perde-perde”.
Ele avalia que, como a maioria dos técnicos e auditores estão com tempo suficiente para se aposentar, “vão preferir este caminho a mudar para longe de onde vivem”. Roberto afirma que “já estamos com um grupo buscando uma solução junto ao governo”.
Mudança ignorada
A própria situação institucional da Ceplac mostra a falta de força do órgão junto aos ministérios. Ela ainda aparece no site do Ministério da Agricultura e não no de Tecnologia. Além disso, a página do MAPA está com dados desatualizados, trazendo ainda Carlos Brandão como superintendente.
Existe ainda um site próprio, ceplac.gov.br, onde o nome de Roberto Melo já aparece no comando para a Bahia e ES, mas o departamento continua citado como ligado ao MAPA. A mudança para o Ministério da Tecnologia está ligada à criação do Parque Científico e Tecnológico do Sul da Bahia (PCTSul).
Ele deve abrigar mais de 10 instituições, entre universidades, institutos e fundações de pesquisa e inovação. O centro já tem áreas para a Universidade Federal do Sul da Bahia e o Centro de Tecnologia do Cacau, e será focado em biotecnologia, logística, eletroeletrônica e sistemas agroflorestais, com ênfase no cacau e chocolate.
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